Transformando histórias nordestinas em patrimônios de leitura

O Sopro da República da Poesia: De Sertânia às Ladeiras de Olinda – Por Josessandro Andrade

Há sons que interrompem o silêncio para anunciar uma presença, um chamado ou um segredo. É com essa sutileza e força que o poeta João Pereira Vale Neto nos apresenta seu primeiro livro , “O Assovio”, lançado pela Editora Urutau. No próximo sábado, às 16h, o Alma Café, em Olinda, será o palco desse sopro literário.

Para quem se dedica à observação do mundo, como João — que divide sua caminhada entre a sociologia e os versos —, a poesia não é um adorno, mas uma ferramenta de escavação. Essa sensibilidade, apurada no convívio com as coisas do interior, carrega o DNA de Sertânia, a nossa República da Poesia e Berço Nacional de Poetas e Escritores. Foi nas passagens e férias em solo sertanejo, entre vivências familiares e o horizonte do Moxotó- Ipanema, que o autor absorveu a essência da palavra que resiste e encanta.

Escrevo este texto com o orgulho de quem conhece as raízes dessa árvore. Como seu tio — poeta, compositor e teatrólogo —, observo com alegria as semelhanças que muitos já apontam entre nós: uma conexão que vai além do físico e toca a essência. João é fruto de uma família de artistas que definem a identidade do nosso Sertão, trazendo no sangue o legado de figuras como Antônio Amaral (o “Villa-Lobos do Sertão”), Luiz Wilson (o “Forrozeiro Poeta”), Duval Brito, Vinícius Andrade e Andrade de Sertânia, entre tantos outros que fazem da nossa região um celeiro de várias linhagens e estilos, que fazem do Moxotó- Ipanema, um Sertão de Mil Veredas.

Mas a alma de João foi refinada também pelo olhar atento aos mais carentes. Sua sensibilidade poética caminha de mãos dadas com a preocupação social, algo visível no trabalho cultural e social que fomentou na Favela do Coque, no Recife. Essa vivência moldou um autor que não apenas escreve sobre o mundo, mas atua sobre ele, transformando a realidade em verso e o verso em dignidade.

Em “O Assovio”, João nos convida a um exercício de “chegar a ser quem se é”. Influenciado pela rica diversidade dos Poetas do Sertão do Moxotó e Ipanema, sua obra mergulha nas correntes da identidade com uma linguagem técnica e visceral, honrando a tradição literária de sua terra enquanto desbrava caminhos contemporâneos , fruto de trajetória urbana e universal.

O lançamento em Olinda é o encontro perfeito para essa voz que ecoa do Sertão e se solidifica na luta social. No ambiente do Alma Café, teremos a chance de sentir a ressonância desse assovio que percorre as páginas e as memórias de João. Parar para ouvi-lo é um ato de rebeldia e profunda humanidade.

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3 respostas

  1. Parabéns pelo sobrinho. Incentive-o sempre. Qq hora vou ler Assovio. Meu Sisreg literário é grande. Kkkkk

  2. Parabéns pelo sobrinho. Incentive-o sempre. Qq hora vou ler Assovio. Meu Sisreg literário é grande. Kkkkk

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