Transformando histórias nordestinas em patrimônios de leitura

Eliane Seixas: dos cabelos rosas ao romance de época — uma estreia literária que prova que nunca é tarde

O despertar para as letras

Carioca, 73 anos em setembro de 2026, Eliane Seixas cresceu numa família que não apenas incentivava a leitura — incentivava toda forma de arte. Bacharel em Letras pela UFRJ, formada em piano pelo Conservatório Brasileiro de Música e ainda pelo Teacher Formation Course do CCAA, sua relação com a escrita começou cedo, aos 18 anos, quando trabalhava no antigo Galeão.

“Escrevia tudo o que presenciava ou me encantava.”

Na universidade, mergulhou nos grandes nomes da literatura universal: Shakespeare, Edgar Allan Poe, Hemingway, Jane Austen, Daniel Defoe, Agatha Christie, Dickens, Joyce. Dos brasileiros, revela com honestidade que lia “apenas para garantir nota” — e reconhece hoje o quanto essa metodologia foi falha. Ainda assim, já admirava José de Alencar, Machado de Assis, Guimarães Rosa, Mário de Andrade, Jorge Amado e Castro Alves.

Uma vida de muitas profissões — e a escrita sempre ali

Aos 26 anos, tornou-se desenhista técnica na Light, transformando um hobby em profissão. Permaneceu na empresa até 1996, quando foi vendida e dispensou seis mil funcionários. Aos 43 anos, viu-se desempregada e tornou-se explicadora até se aposentar, aos 60.

Mas não parou. Virou empresária da beleza na Mary Kay, atividade que exerceu até os 69 anos. O cabelo rosa, que começou como estratégia de marketing, virou sua marca registrada.

Por motivos de saúde, mudou-se para perto dos filhos — e foram eles que a incentivaram a publicar os manuscritos que guardava.

A conexão com o Nordeste e o Danado de Bom

Apesar de carioca, Eliane carrega o Nordeste no sangue. Seu avô, Hermenegildo Augusto McCullough de Seixas, era pernambucano de Olinda. Foi casada com um cearense, com quem teve sua filha. “Tenho raízes e alma nordestinas”, diz.

Em 2020, conheceu Marla num curso de marketing on-line e passou a acompanhar o clube de leitura que mais tarde se tornaria o Danado de Bom. Conhecer escritores contemporâneos nordestinos foi o estímulo definitivo:

“Foi o estímulo de que eu precisava para deixar de ser apenas leitora e me arriscar como escritora.”

A escritora tardia (e prolífica)

Aos 71 anos, em 2025, publicou seu primeiro livro: Histórias D’Eu e D’Ozotros, uma coletânea de contos, crônicas e fanfics. A alma de escritora expandiu-se. Em 2026, lançou seu primeiro romance de época, A Valsa dos Destinos — e já está em vias de lançar outro, A Casa da Porta Amarela, pela Editora Danado de Bom.

E não para por aí: prepara o volume 2 de Histórias D’Eu e D’Ozotros e escreve um novo romance, já na metade, ainda sem título.

Participou também de antologias, incluindo o Contos Danados de Bom, lançado em 2026.

Temas que atravessam a obra

Nos contos e crônicas, Eliane aborda temas atuais e urgentes: feminicídio, preconceito, sexualidade — além de fatos que viveu ou experimentou. Em A Valsa dos Destinos, retrata o amadurecimento de jovens em busca do amor, do seu lugar numa sociedade rígida e da coragem de amar.

O processo criativo

Seu método é disciplinado e quase arquitetônico. Primeiro, coloca no papel tudo o que vem à cabeça — o fato, o tema — “de qualquer jeito, mesmo fora de ordem, só para não esquecer”. Depois, já decidida, constrói um organograma dos personagens: quem é quem, idades, profissões, a fenda emocional que deseja abordar, o lugar da história, o clima.

“Terá criança no enredo? Esse planejamento me ajudará a desenvolver a narrativa. Se precisar de pesquisa, também anoto o tipo. Com tudo organizado, começo a escrever no computador.”

O que ela espera

“Espero viver lúcida, pelo menos, até os 80 anos ou mais, para escrever outros romances.”

Uma presença viva no Danado de Bom

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Uma resposta

  1. Conheci Eliane declamando um poema meu em suas redes sociais. Encantei-me e não a perdi mais de vista. Ela é membro ativo do Clube de Leitura Danado de Bom. Seu entusiasmo com o clube foi crucial para a minha entrada. Tive o prazer de conhecê-la pessoalmente na Bienal da Bahia e nos hospedamos no mesmo hotel. Foram dias incríveis. Li seu primeiro livro de contos e adorei cada um deles. O seu romance traz um enredo de época fascinante! Valerá muito a pena conhecer essa mulher cheia de histórias para contar.

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